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Prolapsos uterinos em granjas de fêmeas suínas de produção da América do Norte (1/2): evolução da taxa de prolapsos

A porcentagem de fêmeas com prolapsos aumentou de forma consistente a cada ano, de 4,8% em 2012 para 10,2% em 2016.

O prolapso uterino é uma condição que afeta as fêmeas suínas, principalmente próximo ao momento do parto, no qual o útero se apresenta deslocado para fora da vulva. Apesar da relevância e importância desse problema no momento do parto e durante o período de lactação subsequente, a lista de etiologias comprovadas ainda permanece incerta para a indústria suinícola. O custo de um prolapso uterino individual foi estimado em R$ 2.500 a R$ 3.500, sem mencionar as implicações negativas para o bem-estar animal. Embora se especule que possa ter diversas causas, as informações sobre o tema são escassas, sendo necessária mais pesquisa para esclarecer melhor sua etiologia. Desde o início de 2013, empresas de produção suinícola têm observado um aumento na incidência de prolapsos uterinos em suas granjas. Como resultado, um grupo de empresas entrou em contato com a equipe de análise da Elanco Knowledge Solutions (EKS) para auxiliar na análise e interpretação dos dados. Este conjunto de dois artigos apresenta os resultados desse amplo estudo relacionado à tendência longitudinal da mortalidade de fêmeas ao longo dos anos, bem como o papel das práticas de manejo, dos parâmetros produtivos e do status sanitário como covariáveis na análise das tendências de prolapsos uterinos em fêmeas suínas.

Em relação ao primeiro estudo, os objetivos foram: 1) analisar as tendências relacionadas aos prolapsos de fêmeas suínas de 2012 a 2016 e 2) compreender especificamente a importância do mês e do ano em um grupo representativo de empresas de produção da indústria suinícola da América do Norte.

Participaram produtores, veterinários e nutrólogos que estiveram presentes em uma conferência suinícola no início de 2016. Foram incluídas voluntariamente granjas de fêmeas suínas de 7 sistemas de produção, representando os principais estados produtores de suínos. Foi solicitado às granjas participantes que compartilhassem seus dados mensais de produção de forma retrospectiva. As informações analisadas foram: “mortes de fêmeas com prolapso sobre fêmeas paridas”, “mortes de fêmeas com prolapso sobre mortes totais” e “mortes totais de fêmeas sobre fêmeas paridas” como variáveis de resposta. Além disso, também foram considerados os efeitos de “mês” (1 a 12) e “ano” (2012 a 2016). Adicionalmente, foram incluídas as variáveis “sistema”, “granja dentro do sistema” e “ano dentro da granja e do sistema” para avaliar se explicavam alguma correlação nos dados.

Foram incluídos no estudo um total de 4.343.512 partos provenientes de 153 granjas em 2012 e 167 granjas entre 2013 e 2016. A porcentagem média de prolapsos em relação ao total de partos variou de 4,8 em 2012 a 10,2% em 2016 (fig. 1). No entanto, quando considerado em relação ao total de fêmeas mortas no sistema, esse valor variou de 10,9% em 2012 a 19,5% em 2016 (fig. 1). Todos os anos apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre si, com exceção de 2013 e 2014 (fig. 2). O mês também apresentou efeito altamente significativo na análise, evidenciando um padrão sazonal importante: com maior incidência durante os meses mais frios (novembro a fevereiro) e menor incidência durante os meses de verão (junho a agosto).

Fig. 1. Número total de partos na análise e evolução ao longo do tempo da proporção de prolapsos de fêmeas suínas por 1.000 fêmeas paridas ou em relação ao número total de mortes de fêmeas nas granjas.
Fig. 1. Número total de partos na análise e evolução ao longo do tempo da proporção de prolapsos de fêmeas suínas por 1.000 fêmeas paridas ou em relação ao número total de mortes de fêmeas nas granjas.
Fig. 2. Gráfico anual da proporção de fêmeas suínas com prolapsos em relação ao total estimado de fêmeas mortas em 2012 e 2016 (intervalo de confiança de 95%). As taxas estimadas com sobrescritos semelhantes (a–d) não são estatisticamente diferentes.
Fig. 2. Gráfico anual da proporção de fêmeas suínas com prolapsos em relação ao total estimado de fêmeas mortas em 2012 e 2016 (intervalo de confiança de 95%). As taxas estimadas com sobrescritos semelhantes (a–d) não são estatisticamente diferentes.

Os resultados deste estudo indicam que a porcentagem de fêmeas com prolapso por fêmea parida aumentou de forma consistente ao longo dos anos (significativo de 2014 a 2016) como proporção do total de mortes, com maior incidência durante os meses de inverno e menor durante os meses de verão. Essas informações são fundamentais para compreender melhor os possíveis fatores de risco envolvidos nesse problema, de grande relevância durante o período avaliado.

Os autores agradecem a todas as empresas suinícolas que participaram do estudo.

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