O prolapso uterino é uma condição que afeta as fêmeas suínas, principalmente próximo ao momento do parto, no qual o útero se apresenta deslocado para fora da vulva. Apesar da relevância e importância desse problema no momento do parto e durante o período de lactação subsequente, a lista de etiologias comprovadas ainda permanece incerta para a indústria suinícola. O custo de um prolapso uterino individual foi estimado em R$ 2.500 a R$ 3.500, sem mencionar as implicações negativas para o bem-estar animal. Embora se especule que possa ter diversas causas, as informações sobre o tema são escassas, sendo necessária mais pesquisa para esclarecer melhor sua etiologia. Desde o início de 2013, empresas de produção suinícola têm observado um aumento na incidência de prolapsos uterinos em suas granjas. Como resultado, um grupo de empresas entrou em contato com a equipe de análise da Elanco Knowledge Solutions (EKS) para auxiliar na análise e interpretação dos dados. Este conjunto de dois artigos apresenta os resultados desse amplo estudo relacionado à tendência longitudinal da mortalidade de fêmeas ao longo dos anos, bem como o papel das práticas de manejo, dos parâmetros produtivos e do status sanitário como covariáveis na análise das tendências de prolapsos uterinos em fêmeas suínas.
Em relação ao primeiro estudo, os objetivos foram: 1) analisar as tendências relacionadas aos prolapsos de fêmeas suínas de 2012 a 2016 e 2) compreender especificamente a importância do mês e do ano em um grupo representativo de empresas de produção da indústria suinícola da América do Norte.

Participaram produtores, veterinários e nutrólogos que estiveram presentes em uma conferência suinícola no início de 2016. Foram incluídas voluntariamente granjas de fêmeas suínas de 7 sistemas de produção, representando os principais estados produtores de suínos. Foi solicitado às granjas participantes que compartilhassem seus dados mensais de produção de forma retrospectiva. As informações analisadas foram: “mortes de fêmeas com prolapso sobre fêmeas paridas”, “mortes de fêmeas com prolapso sobre mortes totais” e “mortes totais de fêmeas sobre fêmeas paridas” como variáveis de resposta. Além disso, também foram considerados os efeitos de “mês” (1 a 12) e “ano” (2012 a 2016). Adicionalmente, foram incluídas as variáveis “sistema”, “granja dentro do sistema” e “ano dentro da granja e do sistema” para avaliar se explicavam alguma correlação nos dados.
Foram incluídos no estudo um total de 4.343.512 partos provenientes de 153 granjas em 2012 e 167 granjas entre 2013 e 2016. A porcentagem média de prolapsos em relação ao total de partos variou de 4,8 em 2012 a 10,2% em 2016 (fig. 1). No entanto, quando considerado em relação ao total de fêmeas mortas no sistema, esse valor variou de 10,9% em 2012 a 19,5% em 2016 (fig. 1). Todos os anos apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre si, com exceção de 2013 e 2014 (fig. 2). O mês também apresentou efeito altamente significativo na análise, evidenciando um padrão sazonal importante: com maior incidência durante os meses mais frios (novembro a fevereiro) e menor incidência durante os meses de verão (junho a agosto).


Os resultados deste estudo indicam que a porcentagem de fêmeas com prolapso por fêmea parida aumentou de forma consistente ao longo dos anos (significativo de 2014 a 2016) como proporção do total de mortes, com maior incidência durante os meses de inverno e menor durante os meses de verão. Essas informações são fundamentais para compreender melhor os possíveis fatores de risco envolvidos nesse problema, de grande relevância durante o período avaliado.
Os autores agradecem a todas as empresas suinícolas que participaram do estudo.
