X
XLinkedinWhatsAppTelegramTelegram
0
Leia este artigo em:

Quando 1 + 1 é mais do que 2: interações que causam o Complexo de Doenças Respiratórias dos Suínos (CDRS) (3/3)

O controle efetivo do CDRS não se baseia em um protocolo único, mas em um sistema. O sucesso depende de um diagnóstico preciso, uma vacinação personalizada, uma biosseguridade sólida, um fluxo de produção inteligente e, sobretudo, de uma implementação consistente. Como disse Cano: “A execução é tudo. O melhor protocolo não funcionará se ninguém vigiar a baia.”

8. Como deve ser abordado o controle do CRP no campo?

Se algo Cano e Segalés deixaram claro é que não existe uma solução única para o CRP. Não se pode simplesmente recorrer aos antibióticos, nem depender apenas da vacinação, nem esperar que desapareça com o tempo.

Cano colocou da seguinte forma: “O controle do CDRS não é um protocolo, é um sistema”. Esse sistema deve começar por compreender a que se está enfrentando e, depois, construir uma resposta que se ajuste às dinâmicas específicas da granja.

Assim foi como eles explicaram:

  • Diagnóstico preciso como ponto de partida: sem ele, você está apenas tentando adivinhar. Segalés destacou que é necessário saber quais patógenos estão envolvidos, quais lesões estão presentes e como ocorre a transmissão no seu fluxo específico. Isso significa combinar necropsias, resultados de laboratório e dados de produção, e não depender apenas de um deles.

  • Identificar os patógenos predominantes: não é necessário eliminá-los todos, mas é essencial saber o que está causando o quadro clínico. Se o Mycoplasma é apenas um problema de base, mas o PRRS está recrudescendo, a estratégia deve priorizar a estabilidade e o controle do PRRS.

  • Ajustar os programas de vacinação de acordo com o fluxo e o risco: não se trata apenas de cumprir requisitos, mas de adaptar o momento e a escolha do produto conforme o funcionamento do seu sistema. Cano citou como exemplo os ajustes baseados no fluxo, nos quais certas fases de transição anteciparam algumas vacinações devido aos padrões de circulação do vírus.

  • Melhorar o manejo e a biosseguridade: ventilação, fluxo de suínos, densidade populacional e protocolos de limpeza são fatores que podem amplificar ou reduzir o CDRS. Segalés nos lembrou: “A biosseguridade não é apenas um cartaz na parede. É um comportamento praticado todos os dias por todos.”

<p>2</p>

Clica aquí para ver el webinar grabado.

9. Como os diferentes sistemas de fluxo de produção influenciam o CDRS?

Se há uma decisão estrutural que determina se o CDRS é manejável ou crônico, é a forma como os suínos se movem ao longo do sistema. Para Cano e Segalés, esse tema é inegociável: o desenho do fluxo pode garantir o sucesso ou prender a granja em um ciclo interminável de doenças.

  • Fluxo contínuo = problema contínuo: Nos sistemas de fluxo contínuo, novos suínos são introduzidos constantemente em ambientes parcialmente limpos, muitas vezes em galpões onde já existem animais mais velhos, patógenos persistentes e falhas de imunidade. Segundo Cano, essa configuração cria “o ambiente perfeito para que o CDRS se recicle e se intensifique”. Os patógenos não apenas sobrevivem, como também evoluem e recirculam, infectando cada novo lote com pequenas variações.

Segalés acrescentou que, nesses sistemas, os padrões diagnósticos geralmente mostram múltiplos patógenos circulando simultaneamente por longos períodos, o que dificulta o planejamento de intervenções ou a interpretação da resposta vacinal. “Se seus suínos não param de se mover, seus problemas também não param”, afirmou.

  • Produção em bandas (tudo dentro/tudo fora) = uma oportunidade de reinício: Em contraste, os sistemas tudo dentro/tudo fora, quando implementados corretamente, oferecem às granjas a possibilidade de romper o ciclo de infecção. Os suínos entram e saem juntos, e as instalações são completamente limpas e desinfetadas entre os lotes. Isso permite:
    • Melhor controle de patógenos
    • Implementação mais precisa dos programas de vacinação
    • Interpretação mais clara de problemas clínicos ou subclínicos
    • Diagnósticos mais simples de acordo com o fluxo

Cano enfatizou que mesmo um sistema tudo dentro/tudo fora parcial (por exemplo, ao nível de sala em creche ou terminação) pode trazer benefícios significativos quando acompanhado de desinfecção adequada e tempo de vazio sanitário.

O fluxo de produção não é apenas logística; ele faz parte da estratégia de controle de doenças. Como destacou Segalés: “Se você quer controle, precisa de pausas. O CDRS prospera onde os sistemas nunca param.

<p>3</p>

Clica aquí para ver el webinar grabado.

10. omo podemos garantir que as estratégias de controle sejam implementadas na granja?

Mesmo o melhor plano de controle do CDRS não serve de nada se ficar apenas no papel. Como disse Cano: “A execução é tudo. Um plano é apenas um plano até que alguém verifique se ele realmente está sendo aplicado”.

Ambos os palestrantes concordaram que a implementação costuma ser o ponto mais fraco. Não se trata de saber o que fazer, mas de garantir que isso seja feito corretamente e de forma consistente.

Assim é como eles sugerem reduzir a distância entre o planejamento e a execução:

  • Comunicar claramente o que, por que e como: não basta dizer “Hoje vamos vacinar”. É preciso explicar o que está sendo feito, por que isso é importante e qual é o papel de cada pessoa. Quando a equipe entende o motivo da tarefa, é mais provável que a execute com mais cuidado.

  • Atribuir responsabilidade: cada intervenção, desde a vacinação até a avaliação de pulmões ou a limpeza, deve ter um responsável claro. Segalés enfatizou que “responsabilidade compartilhada muitas vezes significa responsabilidade de ninguém”. Alguém deve responder por cada etapa.

  • Criar ciclos de retroalimentação: as observações de campo são importantes. Se os cuidadores observarem tosse ou uma resposta ruim ao tratamento, essa informação deve ser comunicada rapidamente à equipe veterinária, e não esperar até a próxima visita. Cano incentivou as equipes a construir uma cultura de informar, não apenas de reagir.

  • Auditorias periódicas, não como punição, mas como aprendizado: o acompanhamento não deve se limitar a identificar erros, mas a aperfeiçoar o sistema. Segalés sugeriu listas de verificação simples para auditorias, como calendário de vacinação, manutenção de registros e cumprimento das normas de biosseguridade.

A implementação é o ponto em que a teoria encontra a prática. E, como disse Cano: “O melhor protocolo do mundo não funcionará se ninguém observar as baias.”

Redação 333

Comentários ao artigo

Este espaço não é um local de consultas aos autores dos artigos, mas sim um local de discussão aberto a todos os usuários da 3tres3.
Insira um novo comentário

Para realizar comentários é necessário ser um usuário cadastrado da 3tres3 e fazer login:

Você não está inscrito na lista A web em 3 minutos

Um resumo semanal das novidades da 3tres3.com.br

Faça seu login e inscreva-se na lista

Artigos relacionados

Quando 1+1 é mais que 2: interações que causam o Complexo de Doenças Respiratórias dos Suínos (CDRS) (1/3)

Jean Paul Cano, médico-veterinário com ampla experiência de campo nos EUA e atualmente na Espanha, trouxe sua visão prática sobre o manejo do CRS no contexto produtivo. Joaquim Segalés, professor da UAB e pesquisador do CReSA, ofereceu uma perspectiva acadêmica e compartilhou os avanços mais recentes sobre a patogênese do CDRS.

Você não está inscrito na lista A web em 3 minutos

Um resumo semanal das novidades da 3tres3.com.br

Faça seu login e inscreva-se na lista