Otimizando os leitões pós-desmame com proteínas funcionais

A nutrição durante os estágios iniciais de crescimento é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar dos leitões. Em meio a uma realidade cada vez mais desafiadora, os suinocultores têm enfrentado dificuldades significativas devido a desafios do pós-desmame, resultando em perdas substanciais. As proteínas funcionais do plasma (SDP) provaram ser uma ferramenta eficaz para mitigar esses problemas, promovendo o crescimento sustentável e reduzindo a incidência de doenças.
As doenças pós-desmame, especialmente a diarreia pós-desmame (DPD), representam uma das principais causas de perdas econômicas na produção de suínos. Na Europa, as taxas de mortalidade relacionadas à DPD podem chegar em alguns casos a 20-30%, devido ao surgimento de cepas de E. coli resistentes a tratamentos tradicionais como óxido de zinco e antibióticos [1,2]. A DPD não afeta apenas a sobrevivência dos leitões, mas também causa atraso no crescimento e custos elevados de tratamento, afetando diretamente a rentabilidade da granja.
A IMPORTÂNCIA DO FORNECIMENTO PELO TEMPO ADEQUADO DE PROTEÍNAS FUNCIONAIS DO PLASMA NAS DIETAS PÓS-DESMAME
A manutenção do fornecimento de proteínas funcionais do plasma durante o tempo necessário no pós-desmame é crucial para sua contribuição efetiva para o crescimento e a sobrevivência dos leitões, proporcionando benefícios que se estendem aos estágios subsequentes de desenvolvimento. Essas proteínas apoiam o sistema imune, aumentam a absorção de nutrientes e melhoram a saúde sistêmica geral, levando a um melhor ganho de peso e menores taxas de mortalidade.
De acordo com um estudo recente [3], os suínos alimentados com dietas contendo SDP apresentaram uma melhora de 63% na sobrevivência em comparação com aqueles alimentados com proteína isolada de soja (IPS).

Neste estudo, os suínos foram inicialmente alimentados com dietas contendo 4,12% de PIS ou 5% de SDP por 21 dias após o desmame. No sétimo dia, todos os suínos, susceptíveis geneticamente à infecção por E. coli, foram desafiados com Escherichia coli enterotoxigênica F18 (ETEC). É importante observar que nenhum antibiótico ou eletrólito foi administrado durante todo o estudo, o que pode explicar as altas taxas de mortalidade observadas.
Os resultados demonstraram que os suínos alimentados com SDP não somente tiveram taxas de sobrevivência mais elevadas, mas também apresentaram aproximadamente 1,5 kg a mais do que os alimentados com a PIS no 21º dia após o desmame.
BENEFÍCIOS SISTÊMICOS DO USO DO SDP NA SEGUNDA DIETA PÓS-DESMAME (FASE 2)
A manutenção da inclusão de SDP na segunda dieta pós-desmame reforça ainda mais os benefícios observados na primeira fase. A continuidade no fornecimento dessas proteínas ajuda os suínos a manter a saúde intestinal ideal e um sistema imune resistente, permitindo um crescimento contínuo e sustentável.

Esse estudo [4] indicou que os suínos alimentados com dietas com 6% e 9% de SDP superaram 25 kg de peso vivo aos 59 dias de idade, apesar do desafio da ETEC K88 durante a primeira semana após o desmame. Essa estratégia de alimentação reforçada em ambas as fases destaca a importância do SDP não apenas para aumentar o crescimento e a sobrevivência,mas também para reduzir a incidência geral de doenças durante esses estágios críticos do desenvolvimento dos suínos.
Pesquisas ressaltam os importantes benefícios do fornecimento das proteínas funcionais do plasma de forma sustentada nas primeiras 3 a 4 semanas pós-desmame, demonstrando melhores taxas de sobrevivência, maior crescimento e menor carga patogênica em suínos desmamados. Ao manter a inclusão de SDP nas primeiras dietas de creche, os produtos podem ajudar a desenvolver sistemas imunes mais robustos e uma melhor absorção de nutrientes, resultando em animais mais resistentes e saudáveis. O uso estratégico de proteínas funcionais do plasma oferece uma solução sustentável para aprimorar o desenvolvimento dos leitões e a eficiência geral da granja.

Referências
- Renzhammer, R., Vetter, S., Dolezal, M., Schwarz, L., Käsbohrer, A., & Ladinig, A. (2023). Risk factors associated with post-weaning diarrhoea in Austrian piglet-producing farms. Porcine Health Management.
- Rhouma, M., Fairbrother, J. M., Beaudry, F., & Letellier, A. (2017). Post-weaning diarrhea in pigs: Risk factors and non-colistin-based control strategies. Acta Veterinaria Scandinavica, 59.
- Campbell et al., 2022; Allen D. Leman Swine Conference, St. Paul, MN.
- Castelo et al., 2022; J. Anim. Physiol. Anim. Nutr. 2022:1-8. DOI: 10.111/jpn.13761
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