As 12 principais perguntas sobre a transição para o alojamento coletivo

06-Abr-2026
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Por: Sylven Blouin, Agr., e Amanda Uitermarkt, M.Sc.

Sua decisão está tomada. Você quer adotar o alojamento coletivo na gestação. Independentemente do motivo para realizar essa transição, seja para cumprir regulamentações governamentais em seu país relacionadas ao bem-estar das suas matrizes, é natural que surjam muitas dúvidas sobre essa mudança significativa. Podemos assegurar que você não está sozinho nessa situação. Todo proprietário de granja de matrizes que passou por essa transição enfrentou esse período de questionamentos e incertezas. 

Neste artigo, apresentamos as perguntas mais frequentes feitas por nossos clientes e buscamos respondê-las. Também incluímos diferentes sugestões provenientes de artigos científicos e/ou apresentações sobre o tema. Você verá que existem vários elementos a considerar antes de iniciar o projeto. 

Então, aqui estão nossas respostas às suas perguntas! 

 

1- Quais serão os custos de uma adaptação (retrofit) para o alojamento coletivo? 

NOSSA RESPOSTA: MAIS BARATO AGORA, MAS MAIS CARO NO LONGO PRAZO OU UM POUCO MAIS CARO AGORA, MAS MAIS RENTÁVEL 

Essa é A pergunta que recebemos com mais frequência. Existem tantas variáveis nessa equação que poderíamos até escrever 10 artigos apenas sobre esse assunto. Lembre-se de que o sistema perfeito não existe, mas alguns chegam bem perto! 

Por um lado, alguns sistemas de alojamento coletivo, como baias com contenção individual ou alimentação no piso, são mais baratos para instalar (PSC). No entanto, tendem a ser mais caros no médio ou longo prazo. Por outro lado, um sistema eletrônico de alimentação (ESF), como o Gestal 3G, terá um custo inicial um pouco maior, mas será mais rentável no curto, médio e longo prazo. 

Também é importante lembrar que o bem-estar animal não deve ser implementado às custas do bem-estar dos produtores ou dos colaboradores. 

Recomendamos procurar um sistema com o qual você e seus colaboradores se sintam confortáveis, já que se trata de um investimento de longo prazo. Também é importante garantir que você não se torne um “abandonado tecnológico”. Já vimos, com muita frequência, fornecedores de equipamentos saírem do mercado e deixarem os produtores sozinhos com sua tecnologia, sem peças de reposição e sem suporte. 

2- Preciso começar com um novo plantel ou posso manter o meu plantel atual? 

NOSSA RESPOSTA: DEPENDE DO SEU PLANTEL. 

Para responder a essa pergunta, precisamos considerar se essa adaptação representa também uma oportunidade para realizar grandes reformas em outros setores da granja. Se a resposta for sim e você precisar substituir as gaiolas de parto ou as gaiolas de cobertura, provavelmente não haverá muitos benefícios em manter o seu plantel atual. Essas reformas ou mudanças exigem bastante espaço para que o trabalho seja realizado adequadamente. Se os equipamentos ainda estiverem em boas condições, pode-se considerar manter o mesmo plantel. 

É importante lembrar que a transição para o alojamento coletivo de um plantel acostumado a gaiolas individuais costuma ser um desafio. Muitos produtores observaram aumento nas taxas de descarte após a transição para o alojamento coletivo durante um ciclo completo de produção. 

Se você decidir aproveitar essa oportunidade para aumentar o tamanho do seu plantel, a decisão poderá ser diferente. Ao aumentar o plantel e, consequentemente, o espaço de piso disponível, você terá área suficiente para mover os animais enquanto realiza reformas ou substitui equipamentos. Nesse caso, a maioria dos produtores opta por manter o plantel atual. 

Qual é o status sanitário do seu plantel atual? Se você estiver enfrentando problemas com doenças que impactam a produtividade e a rentabilidade, pode ser um bom momento para começar com um novo plantel e, assim, melhorar o status sanitário. Discuta essa decisão com o seu veterinário para garantir que está tomando a decisão correta. 

3- Precisarei reduzir o tamanho do plantel se quiser manter a mesma área construída? 

NOSSA RESPOSTA: NÃO NECESSARIAMENTE 

Com bastante frequência, por razões orçamentárias, exigências de licenciamento ou outras regulamentações, não é possível ampliar o tamanho de um galpão. Dependendo do sistema de alimentação escolhido, às vezes é possível manter a mesma área construída sem precisar reduzir o tamanho do plantel durante a transição para o alojamento coletivo. O desenho das baias de gestação varia bastante entre os diferentes sistemas de manejo em alojamento coletivo. Alguns layouts se adaptam melhor às plantas existentes do que outros. 

Sugerimos fortemente que você procure um especialista que possa auxiliá-lo no planejamento do layout do galpão e das baias de gestação. 

4- Projeto das baias de gestação: devo optar por manejo de grupos estáticos ou dinâmicos? 

NOSSA RESPOSTA: É UMA DECISÃO DE MANEJO PRODUTIVO 

O manejo dinâmico de baias de gestação exige mais instalações 

Um sistema de manejo dinâmico de baias reúne diferentes lotes de matrizes que irão parir em datas distintas dentro da mesma baia de gestação. Assim, na mesma baia, podem existir matrizes com 40 dias de gestação e outras prontas para serem transferidas para a maternidade. 

Portanto, para gerenciar adequadamente um grupo dinâmico de matrizes, idealmente é necessário um sistema de separação ou identificação. É nesse ponto que alimentadores inteligentes ou tecnologicamente avançados se tornam muito interessantes, pois conseguem se comunicar entre o brinco eletrônico e o leitor RFID. Esse tipo de alimentador reconhece o animal que entra na estação de alimentação e o identifica, por exemplo, com uma marca de tinta spray. 

Sistemas estáticos exigem muito menos manejo no alojamento coletivo 

Nos sistemas de manejo de baias estáticas, os animais são separados em grupos do mesmo lote. Dessa forma, todos precisarão ser transferidos para as salas de parto ao mesmo tempo. 

 

5- Podemos colocar leitoas em uma baia com porcas ou elas precisam de uma baia específica? 

NOSSA RESPOSTA: O IDEAL É QUE AS LEITOAS FIQUEM EM UMA BAIA PRÓPRIA, MAS MISTURÁ-LAS COM PORCAS TAMBÉM TEM VANTAGENS 

Manter leitoas em uma baia de gestação própria tem uma vantagem 

Essa é uma questão sensível. A literatura mostra que os produtores se beneficiam ao separar leitoas de porcas multíparas. A razão é que, quando se misturam leitoas com multíparas, há maior risco de agressão por parte das porcas, o que pode levar a abortos, maior taxa de descarte e até mesmo à recusa de alimentação por parte das primíparas, que podem ter medo de se aproximar da área de alimentação. 

Como misturar corretamente leitoas e porcas 

Nem sempre é possível manter leitoas separadas das matrizes. Isso ocorre frequentemente devido ao tamanho do plantel ou porque as baias destinadas às leitoas são pequenas demais para funcionar adequadamente. Nesses casos, as leitoas precisam ser alojadas junto com matrizes multíparas. 

Nessa situação, o desenho e o layout da baia de gestação precisam ser ajustados. Muitas vezes são instaladas mais estações de alimentação na baia e o espaço de piso permitido por animal é aumentado, entre outras adaptações. Misturar P0 com P1–P2 de menor porte também pode ser uma vantagem para o autoaprendizado dos animais nas estações de alimentação. O artigo de Amanda Uitermarkt, M.Sc., explica por que e como isso ocorre. 

6- Quando precisamos transferir as matrizes após a cobertura sem impactar a taxa de parto? 

NOSSA RESPOSTA: ENTRE OS DIAS 0–4 OU APÓS 35 DIAS DE GESTAÇÃO 

O momento da transferência tem grande impacto no layout da granja, nos custos de adaptação ou construção e na produtividade, caso seja realizado no momento errado. 

As pesquisas concordam que devemos evitar transferir os animais entre o 4º e o 35º dia de gestação. Portanto, o momento escolhido influenciará diretamente o projeto das instalações, pois o número de vagas necessárias em cada setor produtivo poderá variar significativamente. Por isso, esse fator precisa ser considerado com atenção. A Dra. Lori Thomas explica por que é essencial misturar as matrizes antes ou após a implantação embrionária. 

Fonte externa: Knox et al., Journal of Animal Science, abril de 2014 – Gestation Crate Activated by the Sow. 

 

7- Poderei manter o piso antigo da instalação? 

NOSSA RESPOSTA: DEPENDE DO SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO ESCOLHIDO 

Quebrar o concreto e substituir os pisos ripados representa um custo elevado e muito trabalho. Trata-se de uma modificação que pode ser extremamente cara, especialmente se for necessário reduzir o tamanho do plantel durante o período de adaptação ou se houver necessidade de atrasar a entrada dos animais. 

Mais uma vez, o sistema de alimentação terá grande influência na decisão. Por exemplo, não é possível realizar alimentação no piso se você tiver apenas 1 ou 2 metros de piso sólido. No entanto, alguns sistemas de alimentação, como o Gestal 3G, podem ser instalados em qualquer tipo de piso. Dessa forma, permitem que o piso existente seja mantido. 

Para mais detalhes sobre adaptações de granjas com orçamento limitado, sugerimos consultar este artigo. 

 

8- Devo escolher um sistema eletrônico de alimentação ou não? 

NOSSA RESPOSTA: SIM, DEFINITIVAMENTE! 

Sistemas inteligentes de alimentação são confiáveis e rentáveis 

Hoje já não precisamos mais defender os resultados que podem ser obtidos com alimentadores eletrônicos bem projetados. Eles permitem um melhor gerenciamento do consumo de ração de cada animal, reduzem os custos de alimentação e até possibilitam melhor desempenho reprodutivo por meio do controle da condição corporal. Desafiamos você a fazer as contas: se for possível economizar 30–40 kg de ração por matriz por ano, esse valor pode justificar o investimento em alimentadores inteligentes. 

Escolhendo um sistema de alimentação certificado 

Se você decidir avaliar diferentes alimentadores inteligentes ou sistemas eletrônicos de alimentação (ESF), sugerimos procurar equipamentos com certificação IP66 e Nema 4X. Além disso, é importante buscar sistemas que tenham o menor número possível de componentes mecânicos. Aqui tem um guia que pode ajudá-lo nesse processo. 

Esses sistemas são confiáveis? O Gestal está no mercado há mais de 25 anos. Os produtos são conhecidos por sua grande robustez. Eles são resistentes à água e à poeira e são testados na granja do próprio proprietário, com 2.200 matrizes, para garantir que funcionem e tenham durabilidade em condições reais de produção. 

O uso de tecnologia na granja pode desmotivar ou até afastar alguns produtores. No entanto, basta observar como evoluíram os sistemas de comunicação e de ventilação nas granjas atualmente. A tecnologia veio para ficar e continuará evoluindo. Não há motivo para receio. Muitas vezes, ela é mais simples do que parece à primeira vista. 

 

9- Qual área de piso devo disponibilizar por animal? 

NOSSA RESPOSTA: PELO MENOS 1,8 m² POR MATRIZ NO CANADÁ OU 1,9 m² NOS EUA 

Na Europa, no Canadá e em outros países, existem padrões mínimos de bem-estar animal que precisam ser atendidos. A partir disso, cabe ao produtor ajustar o sistema de acordo com os diferentes fatores que podem impactar o bem-estar das matrizes. O sistema de alimentação escolhido, a genética utilizada, a escolha entre grupos estáticos ou dinâmicos e a decisão de misturar ou não leitoas com porcas são pontos importantes a serem considerados. 

Por exemplo, no Canadá, o Código de Práticas recomenda 1,8 m² por animal em baias de gestação compostas apenas por matrizes multíparas. Trata-se, no entanto, de um requisito mínimo. Em nossa experiência, observamos melhor comportamento dos animais quando o espaço disponível é aumentado. Naturalmente, isso tem impacto direto no orçamento e no investimento, mas é um ponto que deve ser avaliado e discutido com especialistas. Também vemos produtores adotando áreas superiores ao mínimo exigido, pensando no longo prazo e garantindo que continuarão atendendo às exigências futuras. 

10- Haverá brigas e isso aumentará a necessidade de descarte de matrizes? Além disso, como reduzir as brigas ou comportamentos indesejáveis? 

NOSSA RESPOSTA: COM CERTEZA. MAS O SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO ESCOLHIDO PODE AUMENTAR OU REDUZIR O PROBLEMA 

Sim, haverá brigas entre os animais. Isso é totalmente normal, porque as matrizes precisam estabelecer uma hierarquia dentro do grupo, e as disputas fazem parte desse processo. Como se costuma dizer, os suínos não funcionam por democracia. É a lei da selva! 

Infelizmente, é possível que haja aumento nas taxas de descarte e mortalidade. Além disso, problemas de casco e membros são mais comuns no alojamento coletivo do que nas gaiolas de gestação individuais. 

Felizmente, é possível reduzir a intensidade, a frequência e o impacto das brigas com um bom projeto das baias e com a inclusão de alguns elementos nas instalações, como paredes divisórias. Sistemas de alimentação não competitivos, como os sistemas eletrônicos de alimentação (ESF), ou estações de alimentação de acesso livre, como o Gestal 3G, também podem ajudar a eliminar grande parte das brigas durante as refeições. 

 

11- Vou perder produtividade? 

NOSSA RESPOSTA: SE TUDO FOR FEITO CORRETAMENTE, NÃO! É ATÉ POSSÍVEL QUE HAJA AUMENTO! 

Sim e não. Se analisarmos os dados publicados, alguns plantéis observaram redução no número de leitões desmamados por matriz por ano, enquanto outros registraram aumento. 

O que é mais certo é que a maioria dos produtores que realizou a transição no passado não voltaria ao sistema de gestação individual. O comportamento do plantel se torna totalmente diferente do que era antes, e para melhor. Os animais ficam mais calmos, mais bem alimentados e atingem níveis de desempenho mais elevados. No entanto, isso está diretamente relacionado ao sistema de alimentação escolhido e ao tipo de grupo adotado. 

Caso ocorra alguma perda de produtividade e todos os pontos mencionados anteriormente estejam adequados, essa perda tende a ser apenas temporária, até que o plantel se adapte ao novo sistema de alojamento. 

 

12- Qual será o impacto nas minhas tarefas e nas tarefas dos meus colaboradores? 

NOSSA RESPOSTA: AS TAREFAS IRÃO MUDAR / EVOLUIR 

Essa é uma pergunta que recebemos com bastante frequência, porque o novo geralmente traz preocupações. Poderíamos responder com mais detalhes em um artigo futuro. Mas, em resumo, as tarefas serão diferentes e irão evoluir. Nossa experiência com clientes ao redor do mundo mostra que a carga de trabalho tende a aumentar um pouco. No entanto, a magnitude desse aumento depende muito das decisões tomadas em relação aos equipamentos, ao projeto das baias e ao sistema de alimentação. 

Algumas diferenças importantes entre o alojamento coletivo e a gestação individual ao longo de todo o período de gestação incluem: 

Há uma movimentação adicional entre a gaiola de cobertura e a baia de gestação 

  • Sistemas ESF podem exigir treinamento dos animais (especialmente nos sistemas eletrônicos tradicionais, enquanto em alimentadores inteligentes, como o Gestal 3G, as matrizes geralmente aprendem quase sozinhas) 
  • Manejo de matrizes feridas ou doentes 
  • Vacinação 
  • Matrizes que perdem seus brincos RFID 

Esses pontos podem parecer preocupantes. No entanto, como mencionado anteriormente, a maioria dos produtores que realizou a transição para o alojamento coletivo não retornaria ao sistema de gestação individual. Os animais realmente apresentam comportamentos diferentes e parecem estar em melhores condições de saúde quando as decisões corretas são tomadas. 

 

Perguntas adicionais? 

Neste artigo, abordamos as 12 perguntas mais frequentes feitas à nossa equipe por produtores e outros profissionais da cadeia da carne suína. Outras questões também podem ter sido discutidas em artigos anteriores do nosso blog. 

Convidamos você a entrar em contato conosco caso deseje conversar diretamente com um especialista da sua região. Além disso, se quiser obter mais informações sobre outros aspectos da produção de carne suína, você pode visitar a seção “NEWS” do nosso site. 

 

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