PCV2 subclínico: o inimigo silencioso

13-Jan-2026
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A infecção subclínica pelo circovírus suíno tipo 2 (PCV2) é, provavelmente, a forma mais comum pela qual esse patógeno se manifesta nas granjas de produção intensiva modernas. Diferentemente dos surtos clínicos evidentes, essa apresentação passa despercebida, sem sinais claros que alertem os produtores. No entanto, seu impacto produtivo e econômico pode ser enorme, acumulando-se de forma silenciosa ao longo de todo o ciclo produtivo.

Na infecção subclínica, o vírus se replica de maneira persistente, gerando uma estimulação constante do sistema imune. Isso obriga o animal a desviar energia e recursos que, em condições ideais, seriam destinados ao crescimento e à eficiência de conversão alimentar. Estudos recentes na Europa estimam perdas econômicas associadas à PCV2 subclínica que alcançam uma média de R$ 57,00 por suíno (IC 90%: R$ 15,65 - R$106,00), considerando o impacto combinado sobre o ganho de peso, o índice de conversão alimentar e os dias adicionais para atingir o peso de mercado. Embora as perdas individuais possam parecer relativamente baixas, como uma redução de 30 ou 40 gramas diários no ganho de peso, o efeito acumulado sobre um lote completo de animais torna-se extremamente significativo.

Diversos estudos demonstraram que a infecção subclínica raramente atua de forma isolada. Por isso, devem ser consideradas as coinfecções com vírus como o PRRSV ou bactérias como Mycoplasma hyopneumoniae, que agravam a situação ao enfraquecer a resposta imune e potencializar os efeitos negativos do PCV2. Mesmo na ausência de sinais clínicos marcantes, essas associações podem reduzir drasticamente a uniformidade dos lotes de animais e aumentar a variabilidade do peso ao abate, afetando a rentabilidade final das granjas.

Em monitoramentos recentes realizados em granjas comerciais, observou-se que a prevalência de PCV2 aumenta à medida que o ciclo produtivo avança. Em granjas onde a detecção ao desmame era baixa (inferior a 5%), foi registrada uma circulação viral próxima de 40% na fase final do desmame ou início da engorda. Esse fenômeno sugere que, mesmo sob programas vacinais padronizados, o vírus pode encontrar condições para se manter circulante e se transmitir entre os animais.

Um dos principais desafios para o controle da infecção subclínica é o seu difícil diagnóstico. As perdas produtivas podem ser atribuídas erroneamente a outros fatores, como genética, nutrição ou condições ambientais. Por isso, o uso de ferramentas diagnósticas baseadas em laboratório, como PCR ou sorologia, combinado a um acompanhamento próximo dos parâmetros produtivos, é fundamental para identificar e quantificar o problema de forma precoce.

O impacto da infecção subclínica não se limita a um lote isolado. Sua persistência ao longo do tempo e sua capacidade de interagir com outros patógenos favorecem a circulação constante do vírus na granja, dificultando sua erradicação. Além disso, o estresse causado por mudanças de ambiente, transporte ou transições de dietas pode atuar como um gatilho que agrava a replicação viral e suas consequências.

Mesmo na ausência de mortalidade evidente, a infecção subclínica por PCV2 representa um desafio sanitário e econômico de primeira ordem. A única forma de minimizar seu impacto é tratá-la como um problema de manejo integral, no qual a biosseguridade, o controle de coinfecções e o acompanhamento sanitário regular atuem de forma conjunta para manter sob controle esse inimigo silencioso.

Resumo

  • Infecção subclínica como a apresentação mais comum do PCV2, com perdas econômicas de até R$ 57,00 por suíno devido a menor ganho de peso, pior conversão alimentar e mais dias até o mercado.
  • Alta frequência de coinfecções com PRRSV e Mycoplasma hyopneumoniae, que agravam o impacto produtivo e reduzem a uniformidade dos lotes.
  • Diagnóstico complexo, que exige ferramentas laboratoriais e manejo integral para manter a circulação viral controlada na granja.

Referências
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