Influenza suína: entenda a estrutura viral e os sinais clínicos desta importante enfermidade

Desde 2009, após os primeiros diagnósticos do influenza H1N1 pandêmico no Brasil, a influenza suína sem dúvida alguma se tornou uma das principais enfermidades em sistemas de produção tecnificados. Atualmente, a doença causada pelo Influenza vírus tipo A está amplamente disseminada pelo mundo, sendo o suíno um importante hospedeiro na dinâmica e epidemiologia da infecção, podendo se infectar com diferentes subtipos virais provenientes de diferentes espécies, como humana, aviária e suína.
O vírus influenza A (VIA) é pertencente à família Orthomyxoviridae, sendo envelopado e, portanto, suscetível a desinfetantes, antivirais e detergentes que normalmente são utilizados em granjas. Os VIA podem ser classificados ainda em diferentes subtipos virais, em que estes são caracterizados de acordo com as glicoproteínas localizadas no envelope viral, a hemaglutinina (HA) e a neuraminidase (NA), sendo estas estruturas os principais alvos para o sistema imune. Atualmente são descritos 18 tipos de HA e 11 tipos de NA (RAJÃO et al., 2019).
Os VIA são conhecidos por sua grande variabilidade genética, principalmente devido a dois mecanismos genéticos denominados mutação, ou “drift” antigênico, e rearranjo, ou “shift” antigênico. A mutação ocorre devido à alta frequência de erros cometidos pela RNA polimerase durante a replicação viral, enquanto o rearranjo ocorre pelo fato do VIA ter seu genoma segmentado, permitindo desse modo a troca de material genético quando uma célula do hospedeiro é infectada com dois ou mais VIA (TORREMOREL, 2012). Em relação à prevalência dos subtipos nos sistemas de produção brasileiros, estudos demonstram que os principais subtipos envolvidos em quadros clínicos são: H1N1 pandêmico, H1N2 e H3N2 (SCHAEFER, 2023; TRES, et al 2023).

Estrutura do vírus influenza A demonstrando o envelope viral formado, bem como os oito genes virais. (SHAEFER et al., 2013)
Em relação à infecção do vírus influenza A no suíno e sua dinâmica no sistema de produção, o vírus influenza não apresenta sazonalidade, podendo ocorrer em diferentes estações do ano. A transmissão do vírus ocorre de forma direta, de suíno para suíno, ou por meio de gotículas ou partículas de aerossóis. Além disso, a transmissão por meio de fômites também deve ser considerada (ALLERSON et al, 2013). Em um rebanho recém-infectado, a morbidade pode chegar a 100%, e a mortalidade pode variar de acordo com a ocorrência de infecções secundárias.
Quanto à patogenia do VIA, uma vez infectado, o vírus replica no epitélio do trato respiratório do suíno, causando necrose do epitélio bronquiolar e bronquial, levando a descamação destas células e atraindo principalmente neutrófilos para o sítio de infecção. As áreas avermelhadas e deprimidas típicas de Influenza observadas na macroscopia ocorrem devido a atelectasia de áreas aeradas resultante da obliteração dos bronquíolos. A excreção do vírus por meio de secreções nasais ocorre 24 horas após a infecção, diminuindo de seis a oito dias pós-infecção (BARCELOS & GUEDES, 2023).
O curso clínico da doença ocorre entre dois e oito dias, precedido de um período de incubação de 24 a 48 horas. A sintomatologia clínica observada é febre, anorexia, prostração, dificuldade respiratória, espirros, tosse, conjuntivite e descarga nasal seromucosa (BARCELOS & GUEDES, 2023). Algo que comumente ocorre nas granjas são as infecções secundárias, ou seja, agentes que podem agravar a sintomatologia clínica da Influenza e desse modo prolongar o curso clínico respiratório, alguns desses agentes são o Actonobacillus pleuropneumoniae, Glaesserella parasuis, Streptococcus suis, Pasteurella multocida e Mycoplasma hyopneumoniae.

Descarga nasal seromucosa, característica da doença causada pelo Influenza vírus tipo A. (Fonte: autor)
Na segunda parte desta série de publicações sobre a Influenza suína, você irá entender melhor sobre como realizar um adequado diagnóstico da doença, e estratégias de controle que podem ser utilizadas.
Contato:
Entre em contato conosco através do formulário