A volatilidade no preço do milho, principal componente da ração animal, é historicamente um dos maiores desafios para a previsibilidade financeira na suinocultura. Para evitar que altas inesperadas no insumo corroam a margem de lucro das granjas, o mercado financeiro tem se consolidado como um aliado estratégico, permitindo que os produtores travem os custos de produção de forma antecipada. Com a democratização do acesso à bolsa de valores, hoje, mesmo os suinocultores independentes e que operam com menores volumes conseguem utilizar ferramentas de proteção financeira, conhecidas como hedge. Essas operações ocorrem sem a necessidade de entrega física do grão, tratando-se meramente de um ajuste financeiro que traz segurança para o caixa da atividade.
Toda essa fundamentação e as estratégias de proteção foram repassadas por Rafael Henrique Bortolotti, sócio da Nippur Finance — escritório vinculado à rede XP —, durante reunião na sede da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS). Segundo detalhou o especialista no encontro, o mecanismo funciona de forma prática e adaptável à realidade de cada produtor.

Uma das estratégias mais utilizadas possui custo zero de estruturação e permite o travamento exato do preço da saca. Como exemplo prático, ao fixar o valor de compra na bolsa a R$ 70 para uma data futura, o produtor garante esse limite de custo. Se, no vencimento da operação, o milho no mercado físico subir para R$ 75, o suinocultor recebe os R$ 5 de diferença direto em sua conta, montante que ajudará a pagar a compra real do insumo, que estará mais caro. Por outro lado, caso o mercado recue para R$ 65, ele tem os R$ 5 debitados na bolsa, mas compensa essa diferença ao adquirir o milho mais barato fisicamente. Em ambos os cenários, o custo final do grão permanece cravado nos R$ 70 que haviam sido planejados.
Outra alternativa disponível explicada por Rafael funciona sob a mesma lógica de um seguro de automóvel e é ideal para quem quer se proteger das altas, mas quer ficar livre para aproveitar eventuais quedas de preço. Conhecida como seguro de alta, essa operação exige um pequeno desembolso antecipado, que pode variar de R$ 1 a R$ 3 por saca, dependendo do prazo. Ao adquirir essa proteção com um teto de R$ 70, por exemplo, o criador é ressarcido se o preço disparar: caso a saca chegue a R$ 78, ele recebe os R$ 8 de diferença. A grande vantagem é que, se o preço despencar para R$ 50 ou R$ 60, o produtor simplesmente não aciona a proteção na bolsa e aproveita para comprar o grão muito mais barato no mercado físico, garantindo economia na vida real.
Para aproximar essas soluções da realidade do campo e fomentar a profissionalização da gestão de riscos no setor, a reunião na sede da ACCS serviu para demonstrar a aplicação dessas ferramentas na prática, colocando a estrutura e a assessoria da corretora à inteira disposição da classe produtora.
O encontro estratégico que debateu o tema contou com a presença do presidente da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi, da diretora financeira e administrativa da entidade, Adriana Donati, do sócio da Nippur Finance, Rafael Henrique Bortolotti, e da assessora de investimentos, Stefanie Allebrand.
18 de março de 202/ ACCS/ Brasil.
https://accs.org.br

