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Otimização da apresentação da ração nas fases de transição (I)

A forma de apresentação da ração é um aspecto complexo, pois pode influenciar tanto o desempenho da fábrica quanto o dos animais. Esta contribuição analisa os principais fatores relacionados à apresentação da ração peletizada que afetam o desempenho produtivo e o bem-estar durante os primeiros dias pós-desmame.

Otimizar a apresentação da ração implica introduzir melhorias nos processos de formulação e fabricação, com o objetivo de maximizar o desempenho produtivo, melhorar a eficiência alimentar e minimizar tanto os desperdícios quanto os custos, sem perder de vista o bem-estar animal.

Essa otimização abrange todas as etapas, desde a formulação inicial e a produção na fábrica até a avaliação do produto final, a carne, buscando maximizar a eficiência e o bem-estar da produção suína.

Na transição, fase de pós-desmame

Durante os primeiros dias pós-desmame (PD), é fundamental estimular a motivação dos suínos a se alimentar, ao mesmo tempo em que se oferecem rações seguras do ponto de vista digestivo.

Em um estudo recente, demonstrou-se que leitões com maior consumo durante os primeiros três dias de PD (626 vs. 311 g/d) apresentam maior crescimento (400 vs. 351 g/d), maior desenvolvimento gastrointestinal e menor fermentação proteica no dia 6 de PD (Fabà et al., 2024, figura 1).

Figura 1. Ganho médio diário (GMD) de leitões ao longo do período de transição, de acordo com o nível de consumo durante os primeiros três dias pós-desmame (CPd1–3, alto ou baixo). PV0, peso vivo ao nascimento. * P < 0,05, ** P < 0,01. Figura adaptada de Fabà et al., 2024.
Figura 1. Ganho médio diário (GMD) de leitões ao longo do período de transição, de acordo com o nível de consumo durante os primeiros três dias pós-desmame (CPd1–3, alto ou baixo). PV0, peso vivo ao nascimento. * P < 0,05, ** P < 0,01. Figura adaptada de Fabà et al., 2024.

Uma estratégia para incentivar o consumo dos leitões após o desmame é oferecer ração durante a lactação, o chamado creep feed (Kobek-Kjeldager et al., 2021, figura 2).

Figura 2. Incid&ecirc;ncia acumulada de consumo de ra&ccedil;&atilde;o de leit&otilde;es ap&oacute;s a entrada nas instala&ccedil;&otilde;es de transi&ccedil;&atilde;o, de acordo com a oferta de creep feed (+ CF) ou n&atilde;o (&minus; CF) durante o per&iacute;odo de lacta&ccedil;&atilde;o. Figura adaptada de Kobek-Kjeldager et al., 2021.
Figura 2. Incidência acumulada de consumo de ração de leitões após a entrada nas instalações de transição, de acordo com a oferta de creep feed (+ CF) ou não (− CF) durante o período de lactação. Figura adaptada de Kobek-Kjeldager et al., 2021.

No entanto, dados recentes não publicados do nosso grupo de pesquisa observaram que, em um lote de 624 leitões desmamados aos 21 dias de idade em condições comerciais, apenas 4,5% dos leitões consumiram creep feed de forma contínua durante a lactação e nos primeiros 4 dias de PD (consumidores). Enquanto isso, 26% dos leitões não consumiram creep feed em nenhum momento (não consumidores). O impacto do nível de consumo sobre os resultados de crescimento desses leitões foi direto.

Os leitões consumidores apresentaram crescimento médio de 117 g/d durante os primeiros 10 dias de PD, enquanto os leitões não consumidores cresceram apenas 27 g/d (P < 0,001). Os 69,5% restantes dos leitões, ou seja, aqueles que não consumiram ração durante a lactação, mas consumiram nos primeiros 4 dias de PD, apresentaram crescimento intermediário de 72,8 g/d.

Em linha com esses resultados, Kuller et al. (2007) concluíram que a ingestão de creep feed durante a lactação exerce influência positiva sobre o desempenho produtivo e a capacidade de absorção de nutrientes durante o PD (Kuller et al., 2007). Além disso, observou-se que leitões que não consomem ração ao chegar às instalações de transição apresentam um sobreconsumo compensatório, o que aumenta o risco de ocorrência de distúrbios digestivos (Lallès et al., 2004; Laine et al., 2008).

A pergunta é: o que podemos fazer para aumentar o consumo dos leitões após o desmame? Fatores como idade, saúde gastrointestinal, origem dos leitões (nascidos de fêmeas primíparas ou multíparas) e condições ambientais influenciam a definição da estratégia nutricional e de manejo dos leitões durante a lactação e a transição.

Nesse sentido, Kobek-Kjeldager et al. (2021) observaram maior incidência acumulada de consumo ao longo do período de transição em leitões desmamados aos 35 dias de idade em comparação com leitões desmamados aos 24 dias de idade. Portanto, se no estudo não publicado anteriormente mencionado do nosso grupo os leitões tivessem cerca de 35 dias de idade no momento do desmame, seguramente a porcentagem de consumidores teria sido maior.

Assim, o manejo tem grande impacto sobre o arranque dos leitões no desmame, mas, focando no tema, o que buscamos alcançar nos primeiros dias de PD, em termos de saúde gastrointestinal, por meio da apresentação da ração?…

No PD, entre as limitações fisiológicas dos leitões está a baixa secreção de ácido clorídrico, fundamental para a digestão da proteína, que, associada ao comportamento de grandes refeições, dificulta alcançar um pH gástrico entre 2–3. Isso implica alto risco de que a proteína chegue não digerida ao intestino, servindo de substrato para o crescimento de bactérias patogênicas e, consequentemente, levando ao surgimento de problemas digestivos. Por isso, em termos de apresentação da ração, buscamos ingredientes que forneçam nutrientes, mas também funcionalidade, com o objetivo de:

  • Incrementar o tempo de retenção gástrica para facilitar a hidrólise da proteína.
  • Promover maior contato entre o alimento e as enzimas.
  • Reduzir a fermentação de proteína não digerida em nível intestinal.

Para alcançar esses objetivos, podemos considerar diversos fatores relacionados à apresentação da ração:

  1. Viscosidade.
  2. Tamanho e distribuição de partículas.
  3. Dureza e durabilidade do pelete.

Aspectos que serão abordados na segunda parte deste artigo “Otimização da apresentação da ração nas fases de transição (II)”.

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