A suinocultura sul-africana está sob forte pressão após surtos sem precedentes de PSA e febre aftosa. Esses episódios evidenciaram lacunas críticas nos protocolos de manejo sanitário e na implementação da biosseguridade. Embora ajustes regulatórios recentes e a ampliação da capacidade de abate estejam começando a aliviar parte das restrições, a resposta inicial deixou muitos produtores lidando com interrupções operacionais.
A PSA, uma doença altamente letal e sem vacina disponível, causou perdas severas, com diversos plantéis comerciais afetados e cerca de 30 mil suínos abatidos sanitariamente. Isso evidencia uma onda de infecção incomum em intensidade para o setor.

Os produtores afetados pela PSA foram os mais impactados, já que os surtos frequentemente resultam na perda total dos plantéis. Embora animais sem sinais clínicos possam ser mantidos em quarentena e posteriormente abatidos caso permaneçam livres da doença, essa estratégia envolve alto risco financeiro devido aos custos prolongados de alimentação e à incerteza dos resultados.
Por outro lado, os plantéis afetados pela febre aftosa apresentam menor mortalidade, mas ainda assim enfrentam pressão econômica significativa. Medidas de quarentena, subprodutos não comercializáveis e interrupções na cadeia de abate contribuíram para as perdas financeiras. A demora inicial na aprovação de abatedouros habilitados agravou ainda mais os problemas de fluxo de caixa, já que os suínos não podiam entrar no sistema formal de abate.
Posteriormente, mudanças nas políticas passaram a permitir o abate controlado em frigoríficos registrados não habilitados à exportação. Além disso, mais unidades foram autorizadas a receber animais de áreas afetadas, ajudando a reduzir gargalos logísticos. Ainda assim, persistem preocupações com protocolos desatualizados, especialmente pela aplicação de medidas pensadas para bovinos em suínos, apesar das evidências de que suínos não são portadores de longo prazo do vírus da febre aftosa.
Atualmente, representantes do setor trabalham junto às autoridades veterinárias para aprimorar protocolos específicos para suínos, reforçar a biosseguridade e melhorar a coordenação das respostas sanitárias. Embora a queda nos custos de ração e a valorização da carne suína tenham trazido algum alívio, a recuperação sustentável dependerá da modernização dos sistemas de controle sanitário e da sua aplicação consistente em toda a cadeia produtiva.
25 de Março de 2026/ África do Sul.
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